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SIBO · 6 min de leitura

O que é SIBO? Sintomas, causas e como o diagnóstico é feito.

O supercrescimento bacteriano no intestino delgado é uma das causas mais subdiagnosticadas de distensão abdominal crônica e síndrome do intestino irritável. Entenda como identificá-lo.

SIBODiário clínico
SIBO

Sintomas digestivos persistentes — distensão depois das refeições, gases, períodos de constipação que alternam com diarreia — costumam ser tratados como "frescura" ou rotulados rapidamente como síndrome do intestino irritável. Mas em uma fração significativa dos pacientes existe uma causa bem definida por trás: o supercrescimento bacteriano no intestino delgado, conhecido pela sigla SIBO.

Este artigo é um guia clínico, mas pensado para qualquer pessoa entender: o que é SIBO, por que acontece, quais sintomas levantam a suspeita e como o diagnóstico é feito hoje, de forma não invasiva, pelo teste respiratório de hidrogênio e metano.

O que é SIBO

O intestino delgado é, em condições normais, um ambiente com poucos microrganismos. A maior parte da microbiota fica concentrada no cólon. No SIBO (Small Intestinal Bacterial Overgrowth), há um crescimento excessivo de bactérias dentro do intestino delgado — bactérias que, em si, podem ser saudáveis, mas que estão no lugar errado e em quantidade inadequada.

Essas bactérias fermentam os carboidratos da alimentação antes que eles sejam absorvidos, liberando hidrogênio e, em alguns padrões, metano em grande volume. É essa fermentação precoce que produz os sintomas característicos.

A questão não é a presença das bactérias — é a quantidade e o lugar.

Por que acontece

O SIBO raramente surge sem motivo. Geralmente, há uma alteração de motilidade, de barreira ou de secreção digestiva que cria condições favoráveis para o supercrescimento. Os fatores mais comuns incluem:

  • Episódios prévios de gastroenterite aguda (SIBO pós-infeccioso)
  • Uso prolongado ou repetido de inibidores de bomba de prótons
  • Cirurgias do trato digestivo, especialmente bariátrica
  • Hipotireoidismo, diabetes e outras condições que afetam motilidade
  • Doenças que comprometem o sistema imune ou a barreira intestinal
Nota clínicaIdentificar o fator desencadeante é parte fundamental da investigação. Sem tratar a causa subjacente, o SIBO tende a recorrer mesmo após tratamento antimicrobiano bem-sucedido.

Sintomas principais

Os sintomas são predominantemente digestivos, mas podem ter manifestações sistêmicas. Os mais frequentes:

  • Distensão abdominal que piora ao longo do dia
  • Gases e flatulência intensos, especialmente após carboidratos
  • Dor abdominal em cólica, geralmente periumbilical
  • Alterações do hábito intestinal: diarreia, constipação ou alternância
  • Sensação de saciedade precoce
  • Fadiga, neblina mental e, em casos crônicos, deficiência de vitamina B12

A sobreposição com a síndrome do intestino irritável

Estudos populacionais sugerem que entre 30% e 60% dos pacientes com diagnóstico de SII apresentam supercrescimento bacteriano subjacente. Isso significa que, em muitos casos, o que se chama de SII é, na verdade, um quadro tratável com investigação adequada.

A diferença prática é importante: o SII tratado apenas com dieta e antiespasmódicos costuma evoluir em ondas; o SIBO, identificado corretamente, responde a estratégias específicas — antimicrobianos direcionados, ajuste de motilidade e reintrodução guiada de alimentos.

Como o diagnóstico é feito

O método de referência ambulatorial para diagnóstico de SIBO é o teste respiratório de hidrogênio e metano, realizado após a ingestão de um substrato fermentável (lactulose ou glicose).

Como funciona o exame

  • Coleta de uma amostra basal de ar expirado, em jejum
  • Ingestão do substrato (10g de lactulose ou 75g de glicose)
  • Coletas seriadas a cada 15–20 minutos por 2 a 3 horas
  • Análise dos níveis de H₂ e CH₄ por intervalo de tempo

O Consenso Norte-Americano de 2017 estabelece como positivo um aumento de hidrogênio de 20 ppm ou mais sobre a linha de base dentro dos primeiros 90 minutos. Níveis elevados de metano (≥10 ppm em qualquer tempo) indicam o padrão IMO, frequentemente associado a constipação.

Limites do teste

O teste respiratório é seguro, não invasivo e bem tolerado, mas tem limites importantes. Falsos negativos podem ocorrer em pacientes com trânsito acelerado ou quando o preparo alimentar não é seguido. Por isso, a interpretação clínica do laudo é tão importante quanto o exame em si.

Linhas de tratamento

O tratamento do SIBO é individualizado e tem três eixos principais:

  • Antimicrobiano direcionado: com substância selecionada conforme o padrão (predomínio de hidrogênio ou metano)
  • Ajuste de motilidade: para reduzir o risco de recorrência
  • Reintrodução alimentar guiada: evitando dietas restritivas prolongadas

Importante: este artigo é informativo. A escolha do esquema terapêutico deve ser feita em consulta médica, com base no quadro clínico e nos achados do exame.

Quando investigar

Vale a pena conversar com seu médico sobre teste respiratório para SIBO se você convive há mais de três meses com sintomas que combinam:

  • Distensão pós-prandial recorrente
  • Gases ou flatulência fora do habitual
  • Alteração do hábito intestinal sem causa esclarecida
  • Diagnóstico prévio de SII sem boa resposta ao tratamento
  • Uso prolongado de inibidores de bomba de prótons
Em resumoSIBO é uma causa identificável e tratável de sintomas digestivos crônicos. O teste respiratório de hidrogênio e metano é o exame de escolha pela segurança, conforto e capacidade de orientar tratamento específico.
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